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O Rei

“I was a veteran, before I was a teenager.”

Voltei só para dizer que… talvez Lou Reed me compreendesse.

Voltámos. Quase dois anos depois do fim. E Santiago de Compostela estava quase na mesma. Quase. O Moore’s fechou. Já não se faz pizza de Ali-Oli na Pizza Móvil. O lago dos patos agora é lago dos pombos. O Sandeman parece ter voltado à terra-Natal. É “Se alquila”, “Se trespasa” e “Se vende” por todo o lado, como bem notou a Joana.

Revisitámos os becos, os sons, os aromas da nossa ilusão. E quando demos por nós, apercebemo-nos de que afinal nunca tínhamos saído de lá. Tudo nos pareceu tão presente… Sim, Santiago de Compostela é tão real quanto a vida aqui.

Choveu. Tinha de chover.

A Catedral está em obras. Ninguém dá turras ao santo.

O peregrino bêbedo continua bêbedo.

Encontrámos o Javi. Por acaso. Acontece na cidade mística.

O 25 de Abril no Avante foi curto. O Avante é daqueles sítios em que se quer ficar a noite toda, mas em que se só se consegue estar quinze minutos. Sempre lotado…

O Leblon e o Meia são a piroseira MTV do costume. Ah, e não perdi o vício de olhar constantemente para a porta do Leblon. Estaria à espera de alguém, como sugeriu a Mariana?…

As tapas de lagostim com tomate… exquisitas… (cuidado com este falso amigo) 

Comprei um crachá com a imagem do Malboro, adaptado para “Malporro”: as t-shirts continuam caras. Queria uma que dizia “Boa de Carallo”, só que custava catorze euros e tal. 

Acabámos nos patos, como não podia deixar de ser. 

Gritámos alguns dos temas dos 4 CDs que fizeram a nossa banda sonora.

Sorvemos as memórias. 

E fomos felizes para sempre…

(O título é um ditado popular que inventei ao almoço.)

Agora que me reencontrei, tenho medo de me perder.

E mais…

Fumei um LM Vermelho depois de mascar uma Trident Fresh… e agora a minha boca sabe a Nestum Mel… Alguém tem uma explicação científica para isto?… Hehe!

Cansaço. Cansaço é quando, ao fim de um Mac Menu Big Mac, num qualquer comboio – no meu relógio psicológico, voam uns vinte minutos -, somos obrigados a pensar duas vezes para percebermos se seguimos de costas ou no sentido da linha.

Sentidos proibidos

Gosto de andar sobre os conceitos, de me pôr neles. Gosto de os contornar, às vezes. E, acima de tudo, gosto de os desafiar. Sempre.

Norma, ordem, sistema. Todos me sugerem perfeição. E nenhum combina comigo. Porque, como disse e sei, gosto de existir fora do mundo, de dançar na ponte que nos separa. 

Faço da auto-ética um exercício diário, e ela manda-me deixar explodir os sentidos, que, de outra forma, seriam apenas matéria morta. Não quero ser matéria morta. Não vou viver ad eternum das convenções.

E por isso não há regras, leis, filtros para os meus estímulos, para o que faço com esses estímulos… Ou então a regra, a lei é rejeitar imposições, obrigações… 

O dever é um valor maior. Advém da liberdade que tenho para escolher… E o escolher não decidir (o tal deixar-se ir) implica também uma escolha.

Agora vivo por intermitências. Passo os dias a pensar no que me permito ou não fazer. Mas não tenho sentidos proibidos. Da introspecção à (re)acção, talvez me falte apenas sentir… o lado de lá.

Entretanto, espero… E, na espera, o tempo corre… E a ponte… a ponte vai ruindo debaixo dos meus pés de barro.

Shall we dance?

Ganhei quatro bifes de vitela por ter fornecido dados sobre o trânsito no IP4. :)

Informação é poder.

Constatação/prova n.º2

Tenho um pacto de não-agressão com o Mundo.

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